OPERA DAS ARTES SOB O OLHAR DE UM ANALFABETO

Opera das artes sob o olhar de um analfabeto
(Crônica)
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Depois que mudei tudo em mim que era preciso mudar, me redescobri neste mundo material. Mudei a crença de toda a culpa, mudei a esperança em toda cúpula, passei a ver Deus em todas as flores, agradecer pela água e pelos ventos, absorver o ar, como uma dádiva Divina e não apenas, como simplesmente, algo natural que me mantém vivo.
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Compreendi que não sou matéria mas, que sou luz em vibração; a perceber Deus, não com cara de homem, mas com matizes de energia, entendi Sua mutabilidade fora de meus conceitos, compreendi a vibração das auras que se abraçam. Que o riso tem efeito de luz que clareia caminhos.
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Só, ainda, não consigo entender porque os direitos têm preços e esses eu não posso pagar com a minha alegria ou, com a minha gratidão. E, ainda, com a minha visão espiritualizada da beleza, nem a profundeza das palavras que me traduzem. Tudo que sei e penso e vivo, parece tão insipiente diante dos preços e das leis que me fazem subordinar-se ao dinheiro.
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O poder da obtenção está no dinheiro, que eu não tenho para ver as artes, nem, se quer, assistir a uma peça teatral, não posso me deliciar sentindo meu espírito flutuar ao som das sinfônicas. Aprendi que no tom dos pássaros têm a melodia das estrelas.(Quem bom! Agradeço por não ter, ainda, que pagar impostos por isso!)
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Mas não entendo porque me privam de ver e sentir a arte dos humanos, faço parte ou não, deles? …São tantas coisas lindas e, eu, não queria morrer sem vê-las todas. Sinto sede do mar, sinto o dulçor dos tons das cores dos quadros, só imaginando-os, daqui, de minhas impotências, diante do poder de se ter ou não ter, como apreciá-los, como a você; que os podem apreciá-los.
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Imagino dentro de mim, o que senti, dentro de si – sem invejá-lo –, você tem o direito que eu só posso querer tê-lo.
Eu sinto que não sou apenas um. Porque não importa se você tenha ou não dinheiro, se caíres em minha frente, lhe darei meu braço e minha mão, de fato, não me sinto único, não sou único.
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Eu sou apenas analfabeto financeiro, apenas mais um que nunca teve oportunidade. Que bom que não me deram, devem pensar.
Mas tudo isso, apenas porque eu amo as artes. E, eu queria muito morrer feliz com o meu país!
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Porque será que é tão difícil para você encontrar estas mesmas razões dentro de seu coração… Porque você não se importa comigo, com ele, com o outro ali…Há muitos de nós que gostaria de ler, de ter compreensão, de saber discernir! Porque você permiti que nos alienem? É isso que é ser democrático? O dinheiro é democrático? Viver subjugado é prática democrática?
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Eu sei você deve estar achando muito engraçado todos esses meus “erros” de valores. Mas se fosse uma opera sendo cantada por Maria Callas, não ficaria de pé, para aplaudi-la? As artes falam, gritam, até. Mas para quem pode degustá-las e aplaudi-las, não para mim, que sou apenas um analfabeto e vivo no interior.
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Vocês deviam parar de trancafiar as artes de forma tão egocêntricas, deixem, por favor, o vigor de seus aplausos, virarem essência de amor por todos nós, analfabetos financeiros, pobres mortais Brasileiros!
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ZéReys Santos.

About ZéReys Santos

ZéReys Santos, é um autor independente Brasileiro, com milhares de leitores, dois livros lançados e várias outras participações em outros livros: como coletâneas e livro de premiação, além de mais de 5 mil textos diversos disponibilizados gratuitamente pela internet. É reconhecido como "O POETA DO PROFUNDO" devido ao seu estilo em desvendar para o simples o profundo que só o amor permite.

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